O secretário Ademir Alves de Melo, da Secretária de Planejamento e Gestão (Seplag), esteve presente ao XXXVIII Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, realizado no Rio de Janeiro nos dia 18 e 19. Durante o encontro, ele reivindicou do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que as contra-partidas de projetos básicos, financiados pelo banco, possam ser feitas através de aportes econômicos e não financeiros. A proposta foi endossada por todos os secretários de planejamento presente ao evento.
O presidente Luciano Coutinho havia feito uma palestra com enfoque no financiamento de programas e projetos do BNDES, assinalando a importância do crédito para estimular o consumo da produção para que o Brasil possa ultrapassar a crise atual.
Após o encontro com o presidente do BNDES, foi à vez do diretor da Sudene, Guilherme Rebouças, ressaltar a importância do Plano de Desenvolvimento do Nordeste que está sendo preparado pelo órgão. A observação mereceu um aparte do secretário Ademir de Melo.
"Esse Plano carece de legitimidade social e tal como estava sendo conduzido tende a referendar, e até mesmo ampliar, distorções espaciais na região. Lembramos a Transnordestina, rodoviária financiada com recursos do BNDES, uma iniciativa do setor privado que tangenciou a Paraíba, ficando a Sudene e o BNDES, reféns de um projeto privado na medida que não se leva em conta à integração de eixos rodoviários e o desenvolvimento da região como um todo. Prevaleceu a lógica do capital privado sobre o social", frisou o secretário.
Melo ainda manifestou a expectativa que os programas estruturantes propostos para o Nordeste levem em consideração os interesses dos estados e emprestem tratamento diferenciado para situações desiguais.
Outra palestra do evento foi do professor José Cezar Castanhar, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O professor falou sobre empreendendorismo e desenvolvimento. O palestrante, ao analisar o empreendendorismo no Nordeste, deu como exemplo de sucesso a 'Paixão de Cristo' realizada em Nova Jerusalém, que se transformou um investimento de grande alcance social.
"No entanto, chamamos a atenção para que o empreendendorismo financiado pelo estado leve em consideração a preservação da nossa cultura. Lembramos que um empreendendorismo de resultado foi o carnaval fora de época, no entanto a exclusão da população da festa, com a criação dos cordões de isolamento e abadas, alem da desconfiguração da festa com a inclusão de artificialismo que nada tem a ver com a cultura regional, desvirtuaram a idéia inicial", argumentou Melo.
Para o secretário, outro exemplo estão nos festejos juninos onde quadrilhas usam coreografias que nada diz respeito ao matuto. "São músicas, ritmos e artistas que não resgatam nossos festejos regionais e que só trazem benefício aos grupos promotores de eventos. O estado não poderia contribuir com esse estupro cultural. Ressaltei que o empreendendorismo autêntico deveria investir no resgate do forró pé-de-serra", finalizou.